Carla espera ansiosamente a chegada do carteiro.
Já é dia 15 de Setembro e nada. Finalmente ouve o som oco da caixa do correio a abrir e fechar e, vai espreitar.
Chegou, finalmente...
Veste-se apressadamente.
Adora esta disponibilidade permanente que o estado de desemprego lhe dá.
Mete-se no carro e segue para lá. Estaciona na garagem mesmo junto às escadas rolantes.
É hoje!
Aproxima-se a passos largos, quase correndo pelos corredores.
Eis que…chegou!
À sua frente, a loja Mangas com a última colecção.
Na sua mão, o cartão de crédito que acabara de chegar.
Entra e entrega-se despreocupadamente à escolha de roupa.
Cumprirá este ritual em mais algumas lojas…religiosamente.
Artur nunca saiu de Levil.
Aqui nasceu, estudou até a 4ª classe na escola da aldeia fechada há 3 anos por falta de crianças.
Filho de pastores, decidiu fintar o destino e ao invés do pastoreio, começou a dedicar-se aos queijos, por influência da avó materna.
Aprendeu o ofício e montou sozinho uma queijaria onde juntamente com 2 dos 5 irmãos fabricava queijo fresco.
Fornece hoje, toda a região e até vem gente das grandes cidades abastecer-se quando pernoitam no Turismo Rural da zona.
Artur nunca casou. O seu sonho era ter sido padre. Vai diariamente à missa das 7 que o padre Messias lá vai dando, enquanto pode.
Sábados e domingos, lá está Artur nas primeiras filas, na missa da manhã. Mas, o que ele mais gosta é da festa da aldeia em Maio, participa sempre na organização: organiza a procissão e tem sempre lugar cativo no transporte do andor do Senhor.
Cumprirá este ritual até ao fim da vida…religiosamente.
Vanda anda cansada.
Levanta-se cedo. Pega às 7:00 na fábrica de sapatos, para um turno até às 16h00.
Gosta deste horário porque ganha um prémio de turno. Nunca falta, para ganhar o prémio de assiduidade. Nunca se atras,a para ganhar o prémio de pontualidade.
Tem dois filhos, que só vê ao final da tarde, quando os vai buscar à sogra e depois de fazer umas horinhas numa senhora, para juntar mais algum. Martinho, o marido, também trabalha na fábrica, mas faz o turno da noite, trabalha toda a madrugada. O jantar, é o ponto de encontro da família. Jantam juntos pontualmente às oito da noite.
Aos domingos, juntam-se com a restante família na casa dos sogros. Vanda dá-se mal com a sogra, mas dá-lhe jeito a ajuda aos filhos. Faz o sacrifício do almoço de domingo sempre às 12:30… e ela que adoraria abandonar-se dominicalmente aos lençóis…mas desde sempre foi assim.
Cumprirá este ritual até ao fim da vida…religiosamente.
Vasco é atlético.
Sempre foi.
Sempre gostou de se mexer, de não estar parado…lembra-se de lhe dizerem que tinha bichos carpinteiros…e acha que tem mesmo.
Quando tem 5 minutos de tempo, dá uma volta a pé pelo quarteirão do edifício onde trabalha. Quando tem 30 minutos, equipa-se e vai correr. Se tem 1hora aproveita para ir fazer umas piscinas. Ter um ginásio perto, é condição essencial quando pensa em mudar de casa ou de emprego.
Precisa de se mexer.
Gosta do movimento.
Também é assim emocionalmente... Já casou 2 vezes e agora diz que vai namorando…é free lancer de coração.
Nunca quis ter filhos…acha que não está preparado…não conseguia parar para o embalar ou para lhe contar histórias. Mas adora ir aos sábados à tarde, buscar os 3 sobrinhos a casa da irmã e levá-los para ir correr para o parque da cidade.
Sempre, antes da classe de Tai-chi que frequenta desde que se lembra de existir…é o seu momento de introspecção, relaxamento e reflexão.
Precisa deste silêncio.
Cumprirá este ritual até ao fim da vida…religiosamente
sexta-feira, 26 de outubro de 2007
sábado, 20 de outubro de 2007
RELIGIÃO
"A Religião pode ser definida como um conjunto de crenças relacionadas com aquilo que a humanidade considera como sobrenatural, divino e sagrado, bem como o conjunto de rituais e códigos morais que derivam dessas crenças", in wikipédia
(é só para avisar...)
...que a minha playlist está renovada
para ir ouvindo, enquanto preparo o post sobre religião conforme prometido...
para ir ouvindo, enquanto preparo o post sobre religião conforme prometido...
quinta-feira, 18 de outubro de 2007
pão com marmelada
Para aqueles que se queixam que este blog de cozinha tem pouco e que bla bla bla, "cozinhas, cozinhas mas vai tudo parar ao caixote", resolvi fazer algo diferente do que é feito na blogosfera..
acho mesmo que é inédito...
vou oferecer o lanche...
aqui vai o meu pão e a minha marmelada...
é só servirem-se!

pão integral: uma noz de fermento de padeiro, 1 caneca água morna, 1 colh sp de óleo vegetal, farinha trigo + farinha integral - compro uma maravilhosa no minipreço, q.b. até ficar uma bola de massa, 1 colh chá sal.
amassar tudo c as mãozinhas. formar bolinhas. forno 15m a 200º
marmelada: marmelos,descascados e cortados, o mesmo peso de açúcar. panela de pressão, 20m. passar tudo com varinha.deixar cozer a papa de marmelo até endurecer. passar para malgas. deixar arrefecer e secar.
acho mesmo que é inédito...
vou oferecer o lanche...
aqui vai o meu pão e a minha marmelada...
é só servirem-se!
pão integral: uma noz de fermento de padeiro, 1 caneca água morna, 1 colh sp de óleo vegetal, farinha trigo + farinha integral - compro uma maravilhosa no minipreço, q.b. até ficar uma bola de massa, 1 colh chá sal.
amassar tudo c as mãozinhas. formar bolinhas. forno 15m a 200º
marmelada: marmelos,descascados e cortados, o mesmo peso de açúcar. panela de pressão, 20m. passar tudo com varinha.deixar cozer a papa de marmelo até endurecer. passar para malgas. deixar arrefecer e secar.
AVISO
FICA AQUI A PROMESSA PARA O NÚCLEO DE LEITORES MAIS ERUDITO ´MAS QUE NÃO RESISTE A VIR LER A FUTILIDADE DO MEU BLOG: O PRÓXIMO POST SERÁ SOBRE: RELIGIÃO.
É ISSO MESMO.
O PERIGO É A MINHA PROFISSÃO.
quarta-feira, 17 de outubro de 2007
We love ricota
.
Recentemente, descobrimos um novo sabor: RICOTA.
e perguntam vcs: O Q É RICOTA?
bem, muito se podia dizer sobre a ricota... Há várias teses de mestrado e está a ser preparado um doutoramento sobre o tema, mas, resumindo em 3 palavras: queijo fresco italiano.
E, claro, se queijo já é bom, então se for fresco...hummm, melhor, agora ainda por cima, italiano...não há palavras..só mesmo provando...
deixo imagens de algumas tapas de ricota que fiz para aperitivo: ricota au poivre,
ricota al face, ricota com cebolinha, ricota benfica
bom apetite
enjoy!
Recentemente, descobrimos um novo sabor: RICOTA.
e perguntam vcs: O Q É RICOTA?
bem, muito se podia dizer sobre a ricota... Há várias teses de mestrado e está a ser preparado um doutoramento sobre o tema, mas, resumindo em 3 palavras: queijo fresco italiano.
E, claro, se queijo já é bom, então se for fresco...hummm, melhor, agora ainda por cima, italiano...não há palavras..só mesmo provando...
deixo imagens de algumas tapas de ricota que fiz para aperitivo: ricota au poivre,
ricota al face, ricota com cebolinha, ricota benfica
bom apetite
enjoy!
domingo, 14 de outubro de 2007
Tragédia à mesa
Na minha última incursão consumista ao lidl, resolvi arriscar duas refeições no exotismo do congelado piscícula, a saber: "filetes de escamudo do alasca" e "bifes de salmão selvagem".
Se relativamente aos primeiros ainda tentei alindá-los com um enrolar de bacon para depois assá-los no forno, relativamente aos segundos, um simples grelhado na brasa com sal grosso e cebolinho, parecia-me bem...
Mas, não...
Ao invés de apresentar aos meus meninos duas refeições originais e de novos paladares, confesso que não podia ter sido pior: a côr dos peixes era estranhíssima, a textura seca e encortiçada, o sabor inexistente, as espinhas em demasia...
Ao invés de duas refeições pacíficas, a mesa transformou-se num verdadeiro campo de batalha com peixe a voar pelo ar, pratos atirados ao chão e a fúria decorrente de uma fome crescente sem uma refeição comestível à vista...
Foi o caos....
Valeu-me recorrer ao imaginário americano: recriei em minutos um verdadeiro breakfast com batatas fritas, ovos mexidos e bacon grelhado... uma delícia de gordura saturada!
Mas acompanhado de uma deliciosa salada...para tentar o equilíbrio...
Passada a tempestade, era ver-nos tal família-harmonia agarradinhos a uma tacinha de gelado de strawberry cheese-cake...
Evitou-se assim mais uma tragédia à mesa.
obrigado américa.
quinta-feira, 11 de outubro de 2007
Aconteceu na minha rua
Manuel, 42 anos.
Chefe da estação dos correios, para onde entrou aos 19 anos como carteiro, conquistando a pulso uma carreira até chegar à chefia da estação.
Casou cedo com a sua namoradinha de sempre e vizinha – a Clarinha, que beneficiando do potencial profissional do seu Nelo, sempre se deixou ficar por casa entregando-se à labuta das tarefas doméstica e à criação dos 3 filhos do casal.
Fruto de uma apurada engenharia económica e esticando mensalmente um ordenado, conseguiram passar do inicial quarto, onde moravam na casa dos pais dele, para a compra de uma terreno ao lado e depois para a moradia com jardim, que habitam hoje. Têm dois carros - um jipe para a família e um utilitário pequeno, para as voltinhas da Clarinha.
À medida que foram melhorando o seu nível de vida, crescia também a inveja dos que vivem por perto, criticando aquela família que só por ter nascido humilde deveria manter-se humilde, entregue para sempre à miserabilidade. Há pessoas que não suportam a harmonia, a felicidade e o sucesso dos outros. Vá-se lá saber porquê… porque não ter uma atitude inteligente e tentar imitar quem faz bem de forma a evoluir para uma situação semelhante…nã…é mais fácil entregar-se à crítica do que ao trabalho…ah pois é.
Numa noite húmida de Inverno, onde o nevoeiro que sobe a rua vindo do mar, invade pegajosamente os muros das casas, deixando a rua mais parecer um espectáculo do Copperfield com aquele fumo no palco que esconde os pés, numa noite dessas, vinha Manuel tardiamente como era seu hábito, descendo a rua no seu jipe abandonado a uma velocidade estonteante com sabor a ponto morto, confiante no domínio do traçado esburacado da rua que o viu crescer, quando sentiu uma pancada forte na parte de baixo do carro. Encostou. Estava já junto à sua casa. Saiu do carro, curioso por ver “qual seria o cão que teria atropelado”- pensou. O nevoeiro era tanto que ele apalpava o chão com as solas das botas. Chegou junto do corpo. Viu uma mancha de sangue a escorrer. Chegou junto do corpo que estava imóvel e todo enroscado. Pareceu-lhe uma criança! Aflito apressou-se a desenroscá-lo. Cuidadosamente. Entretanto vizinhos alertados pela pancada começaram a aparecer na rua. Manuel não ouvia nada. Acha mesmo que deixou de ouvir, por instantes. Só via. O rosto ensaguentado que jazia nos seus braços era de Tico.
Tico era um desgraçado toxicodependente que atormentou a rua no Verão passado com assaltos a todas as casas. Foi preso meia dúzia de dias e posto em liberdade porque segundo consta nas vozes do povo – não há lugar nas prisões para todos. Nunca mais ali teria voltado até hoje. Provavelmente no calor de uma ressaca sem fim e na tentativa de uma casa incauta, estaria a deambular por ali, naquela noite de terror.
Tico não resistiu à pancada e morreu ali mesmo. A autópsia revelaria que estava inundado numa dose maciça de cocaína.
Manuel foi preso, acusado de homicídio, julgado e condenado.
Vai cumprir 10 anos por ter sido provado que “naquela noite de Fevereiro viria, como sempre, negligentemente a fazer corridas numa atitude prepotente do alto do seu jipe, tendo inclusivamente, feito pontaria ao homem que, coitado, cambaleava tiritando de frio pela noite”- foram as vozes da inveja que o viram e testemunharam. Mesmo com o manto do nevoeiro a cobrir as suas casas.
Agora sim fez-se justiça: a vida fez voltar ao seu meio de humildade quem nunca de lá devia ter saído. Ah… É a vida…dizem aliviadas as vozes da inveja.
O juiz deu como provado o “crime” e acrescentou que “o valor da vida humana é sagrado”.
Vá-se lá saber a que vida estaria a referir-se.
A estação ficou sem chefe.
Clarinha sem marido e os meninos sem pai.
Nós, o sistema, perdemos o Tico.
quarta-feira, 10 de outubro de 2007
segunda-feira, 8 de outubro de 2007
o acesso público
fiquei toda orgulhosa e pensei..."porque haverá pessoas que vêm espreitar o meu pensamento? "
é que isto dos blogs, é como virem abrir a nossa gaveta, quando a deixamos
propositadamente entreaberta, com uma nota de 20 euros de fora e um recado: não abrir.
mas é giro... podermos especular sobre o que nos vai na real gana sabendo que por mais
é que isto dos blogs, é como virem abrir a nossa gaveta, quando a deixamos
propositadamente entreaberta, com uma nota de 20 euros de fora e um recado: não abrir.
mas é giro... podermos especular sobre o que nos vai na real gana sabendo que por mais
despropositado, haverá sempre quem venha ler...mesmo que esteja a 7.000 km- não é "miss lua"?
é também engraçado verificar que aqueles que estão mesmo juntinho também gostam de nos vir ouvir, ao serão.
é como vir ao café.
e pronto vou andando pq tenho um cocktail no consulado da bélgica...
amanhã conto como foi.
se valer o esforço :)...
é também engraçado verificar que aqueles que estão mesmo juntinho também gostam de nos vir ouvir, ao serão.
é como vir ao café.
e pronto vou andando pq tenho um cocktail no consulado da bélgica...
amanhã conto como foi.
se valer o esforço :)...
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